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quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Serenidade diante da morte

Meus caros, conhecidos e desconhecidos.

Este é o primeiro dos últimos dias de minha vida. Não descobri isso agora, neste instante, mas ao longo dos últimos longos anos, ao meditar e constatar a óbvia mais difícil brevidade da vida (pelo menos nessa edição...)

"Não tenho nada a perder, só a ganhar!" tem sido a minha frase de cabeceira. Com ela acordo e com ela me nutro.

A serenidade começa a tomar conta de mim, pouco a pouco. E mesmo com a perspectiva da morte a me rondar.... pelos próximos 40 ou 50 anos (nisso tenho sido otimista ao extremo) sigo confiante de que cumprirei minhas tarefas por aqui; hei de deixar para os pósteros uma vida e uma obra que valeu e pena...

Uma mania tem me marcado desde algum tempo: pegar carona na serenidade alheia face à morte! Agora o faço com o Saramago. Outrora fiz com outros, desde o rompimento com o Pedro Nava, que desertou da vida e me abalou profundamente, fazendo-me agarrar a todos os fiapos de vida sem restrições...

SaramagoDesde então, tenho me alimentado do "tônus vital" desses que lutam com alegria (e com ironia e sagacidade) e vão sorvendo, gota a gota cada sinal, rastro, indício, vestígio de vitalidade nos sinalizando que é assim se deve morrer-vivendo e viver-morrendo, a despeito das nossas crenças ou descrenças na continuidade da existência em outras edições, volumes, tomos...

Agora sigo com Saramago que não afinou diante das parcas a lhe rondar os calcanhares. Ignora-as solenemente. E segue rascunhado no seu blog, quase diariamente e escrevendo seus livros. O derradeiro - A viagem do elefante mereceu ampla reportagem da Revista da Cultura à qual convido todos a lerem.

É isso. Brindando e reverenciando a vida, sigamos.