domingo, 26 de junho de 2011

surto poético intermitente (iv)

És também minha, lua!

A musa súbita, a própria lua, ia pelas ruas, nua
tal como o poeta, repentinamente, cantou
e eu não desejando ficar encalhado
na maré baixa, loucamente solitário,
abandonado, alguns versos teci:

Se me segues, ó lua
e se da tua luz deslumbrada
iluminas reconditamente minha estrada
é que seu amor, mais que imenso, é desmesurado
pois suportas minhas arestas, saliências
minhas flagrantes irregularidades
e assim mesmo, nelas,
deitas, prateado, o teu manto

Enamorei-me de ti, lua!
pois compassiva, clemente
me aceitas, assim tão tua
mesmo com versos mancos,
mesmo com rima crua...

Resposta a um poema do Binho:

Musa súbita

na
noite

na
chuva

no
vento

ia
nua

ia
nau
na
maré
das
ruas

ia
lua

surto poético intermitente (iii)

Veja onde vai colocar!!
 
Muitas pessoas de ideias tortas
acreditam no "ah, nada a ver"
que tudo pode ser feito
que nada de ruim há de acontecer

Que "essas coisas" de campanha
de se cuidar da saúde, da natureza
é coisa de gente sem o que fazer
coisa de "frescura", "delicadeza"...

Quem tem juízo e sabedoria
e um pouco de gentileza e educação
sabe que "todo ato" traz consequência
que todo "mal feito" traz "reação"...

Veja o caso dos tais resíduos
do que a gente chama de lixo
coisa que muito se joga por aí
de comida estragada a morto-bicho

Aonde vai tudo isso, sem cuidado?
lixo não tem perna, nem vontade
e a gente sabe o resultado... 

Jogado sobre o solo, o chão
o lixo sozinho não se enterra
e mesmo que isso aconteça
não existe sumidouro sob a terra!

Os resíduos, perigosos, vão persistir
uma pequena parte pode até sumir
mas o que poluí de verdade
pode durar uma eternidade!

O tempo de se decompor
é para cada resíduo muito diferente:
por isso todo cuidado é pouco
pense nisso, minha gente!!

Todo aluno inteligente, pode agora
com fundamento este tema pesquisar:
- quanto dura cada resíduo 
que ao solo eu jogar?
E mais: crie um campanha!
Uma dica e uma frase dou pra começar:
convide pequenos e adultos 
"um minutinho só para pensar:
lixo é coisa séria, e o seu destino
não pode ser 'qualquer lugar’!"

Nota: fiz este poema para ajudar alguém no Yahoo! Respostas (confesso que gosto desse trem!)

surto poético intermitente (ii)

Desnecessariamente, quanto fingimento!

Fingindo, poeticamente, disse:
“acredito nada ter a esconder
e muito pouco a revelar”...

Quem poderia me contestar
se com tanta ênfase me expressei
com a verdade em poucas linhas a declarar?!

Blefei, confesso, sem nenhum pudor
pois nesses jogos de palavras
creio seja permitido tais licenças,
mormente dizer o que não se sente,
para de algum modo
pelo avesso me anunciar

Poeta em anúncio profético
toma, por vezes, tom solene,
como se em púlpito invisível se colocasse,
não dispensando, é certo, plateia
que lhe possa aclamar os ditos,
pois, benditos que todos são,
(do que dizem pouco se salva)
mas do que fazem no percurso
para tornar a palavra meio-de-revelação
(somente por isso se põem a salvo)
os livra, sob o beneplácito divino,
de toda condenação...

Devo, então, me anunciar, me desvelando
que das esferas invisíveis me faço guia:
- como um cão treinado, que farejando
e sob o comando de mãos disciplinadas
leve adiante por caminhos insuspeitos
ideias, imagens, emoções, bem ou mal vestidas
mas que precisam, em tempo, ser acolhidas
para desafogar o ímpeto criador,
a veia inflamada de tanto torpor,
de rigidez daqueles que desejam escrever,
e sem lápis, caneta, grafite do mundo dos mortos
se aventurem a fazê-lo no mundo dos vivos

As palavras nunca morrem na garganta
dos que atravessam o rio para as terras d’além
e, afoitas, remoídas, aflitas ou sublimadas
sonham ganhar nova edição ou serem revistas...

Assim tais palavras e seus donos
(não mais ciosos de autoria)
sob o encanto, mesmo que amargo,
das descobertas novas, escapam
e por vias tortuosas, vencendo obstáculos
aportam em corações e braços que lhes acolhem

Tenho acolhido muitos fingidos
(que poeta poderá vangloriar-se, tolamente,
lidando com a própria dor, de não ter sido?)

Agora, sob o clarão mais alto da verdade
mesmo que esmaecida, dosada, diluída
para que todos possam recebê-la
sinto-os a se preparar para mergulho novo

Eles buscam em nós somente, então
campo de treino para fixar lições
para de novo exercitar sentimentos
pois cheios estão de ensaios, cerebrações!

Enquanto as armaduras da carne,
ainda em esboço, em sonho estão
acolho-os, para juntos brincarmos
eles, no sótão, eu no rés do chão
entre nós, no entanto, paira
em meio a boa e terna vibração
a certeza de que nenhum rabisco
será exercitado à revelia, em vão...

surto poético intermitente (i)

Eles passarão, se o Senhor é meu pastor
                                                  (à moda de Mário Quintana e Davi)

Não há o que temer: eles passarão
aqueles que sorrateiramente tramam,
os que rosnam ameaçadores
os outros que abertamente afrontam...

Outras portas, outras janelas
em par se abrirão
rasgando horizontes novos
apontando rumos libertadores...

Se o Senhor é meu pastor,
e Ele, o Eterno, não há de me faltar
nos momentos mais difíceis
ei-Lo a me amparar

Irei com Ele por caminhos novos,
da gloriosa liberdade filho sou

Se eles, sinistros, me ameaçam
- eles passarão, eu passarinho ao largo,
voando alto, em migração
nos rumos do amor e da paz

Contigo, Senhor, eu vou...

sábado, 25 de junho de 2011

Os andaimes e os edifícios

Um amigo engenheiro comentou comigo algo sobre a teoria dos corpos-andaimes. Ouvira de um colega, durante a construção de um grande edifício em São Paulo, lá pelos anos cinquenta. Eu a resumirei, lamentavelmente sem a elegância com que ela foi contada.

Eu já conhecia a palavra andaime. O seu significado e as várias formas de utilização, sempre me chamaram a atenção. Admirei-me, porém, ao descobrir que existia empresa especializada em locá-las; enfim um insuspeito mercado de provisórios arranjos.

Sejam feitos de madeira, de tubos de aço ou de qualquer outro material, os andaimes não permanecem indefinidamente nos canteiros de obra. São colocados ali para cumprir um objetivo passageiro. Após a conclusão da obra, ele é desmontado, reaproveitado ou deslocado para outro local.

Muito bem, mas o que dizia a teoria dos corpos-andaimes do velho engenheiro?

Que existem na vida humana duas coisas básicas: andaimes e edifícios.

Os andaimes são os nossos corpos.

Os edifícios simbolizam o nosso espírito em permanente estado de construção.

Assim como é difícil perceber qual será a forma de um edifício em obras, quando os andaimes estão à sua volta, da mesma maneira pouco se distingue as nossas construções interiores (há mesmo pessoas que mal conhecem a si próprias, tão preocupadas estão com os seus andaimes).

Curiosamente, alguns chegam a afirmar que o edifício em si, após um certo tempo, fatalmente desaparecerá. Naturalmente eles confundem andaime e edifício. Talvez acreditem que o ser more no corpo e nele se resuma.

Não é de se estranhar, pois, que ao não se distinguir corpo e alma, as pessoas dêem mais importante ao que é provisório (ao andaime), do que ao que é eterno (o edifício que está permanentemente em construção). Como conciliar, então a estranha crença das pessoas no Grande Arquiteto do Universo (ou Deus) com a idéia de que removido os andaimes (o corpo) desmorone todo o edifício?

Eu ouvia o amigo engenheiro, que se mostrava sinceramente entusiasmado com as divagações que um simples andaime permitia, quando o alertei que estávamos chegando ao nosso destino; que ele encerrasse o seu raciocínio. Ele o fez:

- Que os andaimes sejam importantes, ninguém ousará negar. E o nosso corpo-andaime o é.

O que se precisa e com urgência é deslocarmos nossa visão para a obra em construção. Aqueles que têm essa noção costumam cuidar muito bem do andaime, pois terá que prestar contas do seu uso, mais tarde. Mas em nenhum momento podemos deixar de estar atento à construção da obra ou à sua reforma.

Despedi-me do amigo e seguimos nossos rumos.

Se essa teoria se tornar corrente e nos perguntarmos como estamos “tocando a nossa obra”, o que haveremos de responder?

Histórias inacabadas (i)

Uma voz pausada e contida
         "Anote tudo o que te revelarei". 
         Tomei a caneta e coloquei-me à disposição daquele nosso paciente.
À época lia tudo o que o velho e lento Correios permitia que chegasse de Belém ou Manaus. Durante os intervalos dos plantões percorria livros e autores, me atualizando quando ao acontecia no mundo da medicina, das letras, das artes, do futebol...
Confissões no leito de dor ou de morte não era algo inédito, eu sabia. Pelo contrário. De Marco Polo aos contemporâneos, a fórmula tinha sido utilizada de todas as maneiras.
Mesmo assim, um tanto eufórico assumi o papel de escriba e confessor.
Posicionei-me e comecei a tomar nota daquela que se tornaria uma lenta e tortuosa confissão. Como anotador de memórias alheias não tive, no entanto, muito trabalho, pois a voz do paciente, com a tuberculose, tornara-se pastosa. 
Conversando com um outro colega, mais experimentado, soubera que essa voz pausada e contida nascia da crença de alguns pacientes de que as hemoptises seriam evitadas caso o tom e a pausa da voz fossem moderados. Desejei esclarecer o paciente sobre a improcedência de tais idéias. Contive-me, porém. Primeiro, que ele não levaria em conta minha opinião (meu colega era o especialista!); e depois, que seria mais fácil tomar notas de suas revelações, na velocidade que ele imprimia à voz.

Dos preâmbulos

Antes de transcrever o que foi ditado e escrito, convém situar os leitores.
Conheci aquele paciente no início dos anos setenta. O Hospital São José tornara-se, pelo ímpeto das doenças tropicais, que aumentava graças à nova leva de migrantes, o ponto terminal de muitas vidas. O ambiente de trabalho, no entanto, era acolhedor. Todos se dedicavam à tarefa de salvar vidas com senso de idealismo. O problema é que não dispúnhamos dos recursos mínimos para as intervenções de maior complexidade. Dessa forma, as vidas iam nos escapando das mãos.
Por aqueles dias, estivéramos às voltas com dois historiadores americanos, que vieram levantar uma das facetas da história da construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré: a saúde dos trabalhadores nas regiões tropicais e as doenças que insistem em permanecer e assombrar.
Nosso diretor partilhou comigo um artigo que em breve um dos gringos publicaria e que se iniciava nestes termos: "Como promover um genocídio tropical? Basta o auxílio dos mosquitos para que a desgraça alcance culminâncias nunca vistas"...
Os pais e avós do médico-diretor, de família grega, foram trabalhadores da estrada de ferro. Muito dos seus parentes próximos estavam enterrados em algum ponto do antigo Cemitério da Candelária.
No meio tempo em que fui destacado a fazer-me de intérprete dos historiadores, surgiu-me também o encargo de confessor.
Pedi, desse modo, auxílio ao Pacato, auxiliar de enfermagem, para que ele e o Morcego, redobrassem os cuidados com os outros  pacientes, enquanto eu fazia os trabalhos de anotação junto ao paciente. Eis aí abaixo uma parte de suas confissões:


Olho de lobo

Nasci em Bela Vista da Santíssima Trindade, no Mato Grosso. Das minhas lembranças de infância mais marcantes, é preciso destacar, estão as visitas que meu pai, médico como você, obrigava-me a fazer aos hansenianos. Os lazarentos ou leprosos - assim os chamavam - eram em número imenso. Descendentes de escravos, os negros doentes exalavam um cheiro semelhante ao desta enfermaria. Daí, talvez, a minha súbita lembrança desses episódios que pensei estivessem soterrados na minha memória. 


A despeito da generosidade do meu pai, eu desde muito cedo não pensava senão em conquistar riquezas. A noção de perda de tempo que eu tinha naquelas visitas é, portanto, justificável...

O senso de negócios despertou-se em mim aos poucos anos de idade, quando aprendi a fazer contas, motivado pela arte de comprar, trocar, vender, lucrar, investir, reter.

Aos dez anos ouvi dizer que olhos de lobo-guará eram vendidos em Cuiabá a um grande negociante, por muito dinheiro. Eles seriam afrodisíacos. Estes lobos eram comuns nas  áreas de cerrado e campo, próximas à nossa cidade. Fiz-me assim caçador de lobos, alguns poucos anos depois...

Por quanto tempo eu os cacei não sei precisar, pois espaçava as minhas caçadas. O tratamento que os olhos arrancados exigiam para que pudessem ser entregues ao comprador, tornou-se uma barreira à caça desenfreada. Um trabalho artesanal que impediu que eu dizimasse a população destes canídeos (na verdade, eles são uma espécie de cachorros do mato!) em torno da minha cidade.

Você pode não acreditar, mas o segredo que ora te contarei não está relacionado a qualquer sentimento de culpa pela morte dos lobos, que não passaram, ao longo de três anos, de três dezenas e meia, mas a algo que pude desvendar graças ao poder de observação que a leitura de alguns livros me propiciaram, enquanto aguardava minhas presas nos jiraus que eu levantava em pontos estratégicos.

...................................................................................

Nesse instante ele pigarreou, apontou para uma mala puída que estava a alguns metros da cama e me convidou a folhear um dos tais livros que lhe abriu o poder de ver as coisas além das aparências e do que se afirma displicentemente por aí, opiniões sem qualquer fundamento...

domingo, 15 de maio de 2011

Rime dor com verso que redime

Se a dor nos faz companhia
em contrapartida podemos ter
do lado de lá, a contrabalançar
seja como alento, como atadura
talvez como compressa quente
como antídoto para a amargura
ternos versos, milagrosos
feitos benzedura...

mesmo que o coração, atado
em nós, em talas amargas
permaneça insone, amuado
mesmo que do lábio mudo
não sobressaia, aberto, franco
uma prece que liberte do estorvo
ou sirva de anteparo, de estanco
há versos que curam...

de suas rimas internas, anuncio
como exige o tom profético
que à vida eles devem fidelidade
pois que se certas dores as medidas
tão bem se faz com a imensidade
a Poesia não pode ficar atrás
e leal às vísceras, em bom tom
há de segregar, em abundância
humores, hormônios, morfinas
algo como densa treva a esmaecer
como o sol a nascer, nas campinas
 
Se outros poetas, a brincar com a vida
não se aventuram a ir mais além
do que fazer das palavras um jogo
hei de lembrar evocando Prometeu
que o mal também se cauteriza com o fogo
- de atmosfera pestilencial, de ziquizira
de mau-olhado, de tudo que oprime
de baixo astral aos males da ira
há versos perfeitos ou mancos,
brancos, metrificados ou livres
a funcionar mesmo como unguento
a arrancar o sujeito do abismo
da depressão, do desalento

Mas para tanto, ao Poeta cabe ficar atento
Livrando-se ligeiro, sem tardança, dos embaraços
da sedução e das artimanhas do Tinhoso
que promete ao elemento verbos em abundância
que diz que nunca há de lhe faltar inspiração...
cuidado! pois que no vinho capitoso da ilusão
podemos nos deparar com pensamentos amargos
como a ideia tenebrosa a combinar beco
com ausência de saída, com ponto final
tornando muitos suicida

Outro pacto cabe ao Vate, ao lidador com os versos
pois este deve em meio ao suor, não se fazer rogado
pois se como remédio d’alma ele manipula, animado
em palavras elevadas, profundas, a erva fina
será também como alimento que lhe cabe servir
sustância firme disfarçada em sopa rala, na medida
o entusiasmo do ser inteiro – coração e braços
aos que exigem, frágeis, acolhida, abraços...

sábado, 16 de abril de 2011

Dispersão

Andei disperso, disseminando muita coisa ao vento
e agora, mais sereno, devo me disciplinar...

Disse um dia alguém, insuspeitadamente coerente:
semeadura exige canteiros em linha,
e embora a geometria indique prisão
(grades, espaços circunscritos, limitados)
não há melhor chão a acolher tua semente
do que aquele antecipadamente preparado -
já trilhado, cuidado, anteriormente visitado...

Tenho, pois, encontro marcado, todo dia
com a Poesia, que exigente há de me cobrar:
- semeaste, preparaste, o que andaste lapidando?
o que andaste lendo? a quem revisitaste?
- pensas que basta lançar a mão ao vento?!
as mãos carregam o que vai cheio teu coração
e este não se preenche somente de promessas
de sonhos, de quimeras, mas de suor no chão...

Calo e me preparo, tomo o alforje na mão
sei já o que carrego, o que tenho catalogado
o que devo desprezar para que, vazio,
me encontre atento e aberto
ao que devo acolher
para semear

domingo, 20 de março de 2011

Poemas vem sempre a calhar, quando o peso do peito preciso tirar


Grata tarefa a de semear letras ao vento

Que diante de tudo que tenho a fazer
do muito a realizar, em boa semeadura
que estes contratempos sejam como o pó
a sujar a sandália desgastada e
a ferida a exigir atadura

Varrendo o pó, revendo os acontecidos:
- quantas coisas aborrecidas no trabalho
e em casa, na lida de todo dia
coisas que por vezes me atazanam
e perturbam , me atando as mãos
que devo lavar com água benta na pia...

Sei que tenho tarefa a cumprir e
a hora, mais do que nunca, é chegada:
hora sagrada, em que do coração atento
devo deixar das mãos tudo escorrer

Mas a tudo me calo e engulo, sereno
pois na madrugada, a me refazer,
pego do lápis e me deixo divagar
em meio ao trabalho de tudo rever
pois alimento bom devo entregar!

Relembrando, então, estes embaraços
julgo tudo muito tacanho, pequeno
coisa de menor vulto, expressão
pois embora pequena tarefa
tenho tomado a escrita, mesmo modesta
como elevada missão

Seguirei, portanto, nas boas horas
do dia ainda a amanhecer
com as letras a semear. insistente
sob o bom sopro de vida a me inspirar
pois nas noites escuras que se prenunciam
luz alguma haverá de se desprezar

Reafirmo, portanto, por meio do meu canto:
mesmo distante de ser um sol resplandecente,
em meio à escuridão reinante
em torno das angústias e alheias tormentas
hei de ser estrela cadente...

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Inteligência e simpatia em face da ausência de espírito cívico e coletivo

Manuel Laranjeira afirmou em Portugal como Problema algo que diz respeito a nós mesmos, deste outro lado do Atlântico.
...a falta da noção de comunidade cívica agravada por desigualdades e divórcios entre os grupos sociais, entre a elite e o povo. A principal causa do mal português [brasileiro, rondoniense] era a falta de simpatia inteligente entre os que sabem e os ignorantes, entre os poderosos e os fracos, entre as minorias e as maiorias, transformando-nos num povo sem comunidade de pensar e de sentir, numa gritante falta de vida coletiva, separando a enorme massa ignara de uma pequena elite extremamente culta e civilizada...
Muito curioso este conceito de "simpatia inteligente".

O certo é que a ausência de uma "comunidade cívica", de autênticos cidadãos, nos priva de criar e manter uma "comunidade de pensar e de sentir", o que causa por aqui também a citada "gritante falta de vida coletiva".

Quando prestei serviço à Caixa Econômica há uma década percebi, ao vivo e em cores, o que significava esta ausência de "vida coletiva" nos conjuntos habitacionais da Caixa em Porto Velho - somente com muitos atrativos se conseguia promover uma simples reunião para se tratar de recursos a ser aplicado em favor dos próprios moradores.

Há muito o que fazer no plano coletivo neste sentido. Talvez seja necessário o transcurso de uma ou mais gerações para se criar um verdadeiro espírito de coletividade em nossa capital...

No plano individual, no entanto, a tarefa é mais urgente e podemos começar desde já o exercício de nos tornarmos inteligentemente mais simpáticos!