segunda-feira, 4 de maio de 2009

Crônicas e ensaios I

Memória

"Ih, acho que esqueci..." Alguém surpreendido às voltas com as falhas da memória

A memória ainda apresenta mais mistérios que respostas. Recentemente chegou-se a conclusão que uma das funções da memória é esquecer. Pode parecer paradoxal, mas não é. Os mecanismos de armazenamento da memória são bem mais complexos que se possa imaginar. Se não é possível determinar com exatidão a região do cérebro onde ficam armazenadas os pedacinhos da nossa memória, mais difícil ainda é saber como é feita a seleção e região de destino desses pedaços. Pois que os mesmos podem ir para uma das tantas camadas da nossa psique ou mente ou alma (como queiram). Consciente, subconsciente, supraconsciente, inconsciente. Muitas são as nomenclaturas que tentam definir essas camadas ou regiões. Numa dessas regiões fica o grande tapetão, uma espécie de zona de esquecimento. As lembranças dos fatos, imagens, impressões corriqueiros, sem maior importância, vão p'ra lá. E também aqueles maus pedaços da vida chamados de traumas. Esses costumam nos incomodar, pois são inquietos. Vez ou outra, aparecem para nos aterrorizar. Basta uma simples associação para ele ressurgir. Minha irmã, por exemplo, tem horror a gato, pois um gato preto atacou-a quando criancinha. Ela não se lembra diretamente do fato. Mas os efeitos ficaram latentes.

O Otto Lara Resende em uma de suas iluminadas crônicas tratou desse assunto e o título da mesma é sugestivo: “A graça de esquecer”. Ele escreveu: 'Uma vez escrevi sobre a graça de esquecer. Sim, é uma graça que devemos agradecer a Deus. Quem não acredita em Deus agradeça aos seus neurônios. Ou à sua sinapse. Para sobreviver, para continuar vivendo, é fundamental esquecer.' E mais: 'Imagine se a gente fosse lembrar tudo de ruim que aconteceu no ano passado. E antes, e antes. O Brasil tem toda razão de esquecer. Um país sem muita memória pode entrar mais leve no futuro'.

A memória é e deve ser seletiva; esquecer o que foi ruim e manter viva a lembrança do que foi ou é bom. Quanto à lembrança das coisas da política é melhor deixar latente e só a fazer despertar na hora do voto. Lembrar-se continuamente disso, seria fatal...

Porto Velho, 20 de outubro de 1998. 

PS.: por falta de tempo tive que abrir o baú e retirar velhos escritos... 

2 comentários:

Helena disse...

Muitas vezes esquecer algo é muito bom e lembar nem sempre traz alegrias. Por isso é que devemos agradecer a Deus por cada dia vivido de nossa vida, seja esquecendo ou lembando, bons ou ruins momentos, pois o importante é ter tido a oportunidade de tê-los vivido.

Marco disse...

Oi; bem interessante o seu blog;
voltarei novamente para visita.

abraços
Marco
CompassodegaiaRyokansobosol