sexta-feira, 8 de maio de 2009

Heroísmo é isso!

Pequenas proezas poéticas

Poetas são heróis de pequenos feitos
anotados a lápis em papel de pão,
em guardanapos, na palma da mão... 

Logo pela manhã saem à caça de palavras, 
pois buscam descobrir sentidos ocultos 
em tudo o que é dito ou escondido,
ou revelado às ocultas, em meio ao silêncio.

Essas buscas nunca são em vão:
em meio a chavões, frases-feitas-vencidas
eis que o poeta se depara
com sorrisos que dispensam todo verbo 
olhares com relatos de longa vida
gestos, atitudes que uma crônica,
bem escrita, mal consegue traduzir...

Depois de tudo recolhido, vem o melhor:
o poeta rumina e começa a compor
com fragmentos de ditos e não-ditos
o mosaico das cenas recolhidas
- imagens-palavras de cada dia
retratos dos homens e suas sinas

Como nem sempre com tudo se delicia
pois que também descreve torpezas 
se vê às voltas com as brincadeiras 
que cada palavra propicia...

Abel Sidney

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Você viu o belo filme publicitário de O Boticário?

Eu vi!

Está lá na página inicial do Youtube Brasil. 

E também aqui. Vá lá! São exatos 1 minuto e 5 segundos.

Mais uma vez me quedo diante da criatividade do filme publicitário brasileiro, que em alguma extensão, é filho dos curtas e longas produzidos nos últimos pela nova turma de novos cineastas e suas equipes (muitos desconhecidos!). 

Ponto também para os roteiristas e animadores e suas tranquilas e bem-vindas referências (O Planeta do Tesouro e a Era do Gelo II estão lá...)

Nesses breves instantes dá um orgulho meio desmedido de ser brasileiro!

Ah, sim, o filme fala do Dia das Mães!! Não nos esqueçamos disso...

terça-feira, 5 de maio de 2009

Uma voz que clama no deserto... E que autoridade moral!!

O Adauto Suannes é desembargador aposentado e escritor, além de mais um punhado de ofícios & artes. Tenho recebido dela algumas preciosidades - em verso e prosa.

Ainda há pouco me chamou à caixa postal o vídeo sobre o qual comentarei nas linhas abaixo, depois de reproduzir o que ele afirmou:

A mídia amestrada produz surpresas. O comentarista Luiz Carlos Prates , da RBS Santa Catarina, afiliada da Rede Globo, chutou o balde contra os políticos, na edição do dia 20. O vídeo, que circula na internet, vale a pena ser visto e revisto. Momento raro de liberdade de expressão.

Antes de assistir ao vídeo, veja a repercussão que o comentário deste jornalista causou:


video

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Um bebê para lá de expressivo...

Hector Landaeta, de Zulia, Maracaibo, na Venezuela, é jornalista e fotógrafo dos bons. 

As fotos do Miguel, seu bebê, dispensam adjetivos.

Vejam aí!!

- Ah, tá, conte outra!!              




 - Vou pensar no teu caso!!        



- Estou nessa, me espere aí!

Um insuspeito exemplo...

Evito contar piadas (e quando faço isso costumo me arrepender amargamente!): até mesmo meus causos caipiras costumam incomodar, a despeito da ingenuidade que os caracteriza (há sempre aqueles que não vê propósito algum nas graças alheias). 

Não sei exatamente o que é pior no rol das piadas, que para além do mero "politicamente correto", são mesmo de mau gosto: se piada de gaúcho ou de loura. Ou de português. Algumas de louco ainda passam, por denunciar a incongruência do mundo dos normais. Enfim, são milhares delas a se evitar (ler e principalmente ouvir!)

Este preâmbulo tem o fim  de situar a histórica e esquecida foto de Marilyn Monroe, aquela moça que arrasava alguns corações, causava comoções e incomodava meio mundo na sua época (hoje ela seria, possivelmente, apenas uma boa atriz). Pois é, ela lia. De verdade. E autores não muito fáceis, como James Joyce e o seu Ulisses. 

Eve Arnold foi o fotógrafo que captou  este interessante instantâneo. Os paparazzi daquele tempo pareceriam também ser mais sensíveis e razoáveis...

Fica aí a curiosidade. E a beleza da moça, que merece um outro tipo de contemplação.

Crônicas e ensaios I

Memória

"Ih, acho que esqueci..." Alguém surpreendido às voltas com as falhas da memória

A memória ainda apresenta mais mistérios que respostas. Recentemente chegou-se a conclusão que uma das funções da memória é esquecer. Pode parecer paradoxal, mas não é. Os mecanismos de armazenamento da memória são bem mais complexos que se possa imaginar. Se não é possível determinar com exatidão a região do cérebro onde ficam armazenadas os pedacinhos da nossa memória, mais difícil ainda é saber como é feita a seleção e região de destino desses pedaços. Pois que os mesmos podem ir para uma das tantas camadas da nossa psique ou mente ou alma (como queiram). Consciente, subconsciente, supraconsciente, inconsciente. Muitas são as nomenclaturas que tentam definir essas camadas ou regiões. Numa dessas regiões fica o grande tapetão, uma espécie de zona de esquecimento. As lembranças dos fatos, imagens, impressões corriqueiros, sem maior importância, vão p'ra lá. E também aqueles maus pedaços da vida chamados de traumas. Esses costumam nos incomodar, pois são inquietos. Vez ou outra, aparecem para nos aterrorizar. Basta uma simples associação para ele ressurgir. Minha irmã, por exemplo, tem horror a gato, pois um gato preto atacou-a quando criancinha. Ela não se lembra diretamente do fato. Mas os efeitos ficaram latentes.

O Otto Lara Resende em uma de suas iluminadas crônicas tratou desse assunto e o título da mesma é sugestivo: “A graça de esquecer”. Ele escreveu: 'Uma vez escrevi sobre a graça de esquecer. Sim, é uma graça que devemos agradecer a Deus. Quem não acredita em Deus agradeça aos seus neurônios. Ou à sua sinapse. Para sobreviver, para continuar vivendo, é fundamental esquecer.' E mais: 'Imagine se a gente fosse lembrar tudo de ruim que aconteceu no ano passado. E antes, e antes. O Brasil tem toda razão de esquecer. Um país sem muita memória pode entrar mais leve no futuro'.

A memória é e deve ser seletiva; esquecer o que foi ruim e manter viva a lembrança do que foi ou é bom. Quanto à lembrança das coisas da política é melhor deixar latente e só a fazer despertar na hora do voto. Lembrar-se continuamente disso, seria fatal...

Porto Velho, 20 de outubro de 1998. 

PS.: por falta de tempo tive que abrir o baú e retirar velhos escritos...