segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

As três filhas (fábula tártara)


Uma mulher pobre tinha três filhas. Dia e noite, ela trabalhava para alimentar e vestir suas meninas.

Elas cresceram rapidamente como as andorinhas e seus rostos brilhavam como a lua cheia em noite escura.

Uma após a outra todas se casaram e foram com seus maridos para um lugar um pouco distante.

A mãe ficou sozinha, cheia de saudades. Junto dela não havia ninguém, a não ser um esquilo de pelo avermelhado.

Quando se sentia muito triste, a mulher conversava com o pequeno animal.  

Passaram-se alguns anos e aquela mãe envelheceu. Um dia ela ficou tão doente que chegou a pensar que morreria sem ver as filhas. 

- Esquilinho, meu amigo, ela disse – corra e vá até as minhas filhas! Diga a elas que venham com urgência, que não demorem! 

O pequeno esquilo correu até a casa da filha mais velha e lhe disse o que sua mãe havia ordenado. 

- Ah! lamentou-se a filha – Eu gostaria muito de ir, mas preciso lavar estas duas bacias de louça.  

- Lavar estas duas bacias de louça?! – esbravejou o esquilinho. – Então, fique grudado nelas!  

As duas bacias logo saltaram da mesa e abraçaram a filha mais velha, pelo alto da cabeça e por debaixo dos pés. Ela caiu e se transformou em uma grande tartaruga, que saiu se arrastando para fora. 

Correu o esquilinho até a segunda filha e lhe entregou a mesma mensagem.

- Ah, como eu gostaria de ir correndo ver minha mãe, mas eu estou tão ocupada! Tenho que terminar de tecer esta rede para vender na feira. 

Esbravejou novamente o animalzinho: 

- Tecer a rede? Então continue tecendo por toda a vida, sem parar nunca mais! 

A segunda filha foi transformada em uma aranha. 

Correu, por fim, o pequeno esquilo até onde morava a filha mais nova, que naquele instante fazia pão.

Ao saber o que estava ocorrendo com sua mãe, não disse nada e nem mesmo as mãos ela lavou, tendo saído correndo em direção à casa materna. 

Ela ainda encontrou sua mãe viva e passou ao seu lado algumas horas, em que pode conversar com ela, abraçá-la e dizer o quanto a amava! 

- Leve consigo, para sempre, muita alegria, minha menina – disse o esquilinho à filha mais nova daquela mulher. – Todos que você encontrar pelo caminho haverão de proteger e de cuidar de você, dos seus filhos, netos e bisnetos...

E assim aconteceu. A terceira filha viveu muitos anos em segurança e cercada de carinho. 

Quando chegou sua hora de morrer, ela se transformou em uma pequena abelha dourada.  

No verão é possível vê-la a colher néctar para que nunca falte mel no mundo. 

Ela pousa em todo pão doce que encontra e, depois de experimentar um pedacinho, volta para casa. 

No inverno, quando o frio ameaça congelar tudo, a abelhinha dorme em sua quente colméia e nas poucas vezes em que desperta, ela come mel e bebe suco de frutas.

Esperantigis Bronislav Ĉupin (Rusio)
http://esperanto.china.org.cn/EL/EL/ElPopolaCxinio/bd98-9-9.html

Traduziu do Esperanto para o Português: Abel Sidney
Disponível em: www.abelsidney.pro.br/acervodigital/rea/astresfilhas.pdf




2 comentários:

Poesias da Tânia Suely disse...

Amei este conto Abel, muito atual, pq hoje estamos tão atarefados que esquecemos daqueles que amamos, principalmente os mais velhos, não é exatamente o meu caso,mas as vzs penso que deveria me dedicar mais. Parabéns!

Abel Sidney disse...

Grato, Tânia!

Pois é, sempre estamos "endividados" com as velhas gerações...;)

Grande abraço!